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    Lar»Carros»É #FAKE que BYD contratou 10 mil chineses para formar ‘cidade’ na Bahia
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    É #FAKE que BYD contratou 10 mil chineses para formar ‘cidade’ na Bahia

    adminDe admin19 de março de 2026Nenhum comentário7 minutos lidos
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    É #FAKE que BYD contratou 10 mil chineses para formar ‘cidade’ na Bahia
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    BYD não contratou 10 mil chineses para fábrica em Camaçari, na Bahia
    g1
    Vídeos e publicações que ganharam força nos últimos dias nas redes sociais afirmam que a instalação do complexo industrial da BYD no município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, envolveria a chegada em massa de trabalhadores chineses ao Brasil. Segundo essas narrativas, cerca de 10 mil estrangeiros estariam sendo trazidos para ocupar empregos e formar uma espécie de “cidade chinesa” no local. É #FAKE.
    selo fake
    g1
    No entanto, a informação é falsa e resulta na distorção de dados reais sobre a geração de empregos no projeto. Documentos oficiais e posicionamentos enviados ao “Globo” pela empresa e pelo governo do estado da Bahia indicam que não há previsão de envio massivo de trabalhadores estrangeiros e que a prioridade é a contratação de mão de obra brasileira, especialmente local.
    🛑 Como é o post?
    O conteúdo circula principalmente em vídeos nas redes sociais, que mostram estruturas de grande porte sendo construídas e são descritas como o início de uma “cidade chinesa” em solo baiano.
    As publicações sugerem que milhares de estrangeiros estariam sendo levados para ocupar vagas que deveriam ser destinadas a trabalhadores locais, além de levantarem suspeitas sobre acordos entre autoridades brasileiras e a empresa.
    Parte desse conteúdo foi amplificada por agentes políticos. Em um dos vídeos, o deputado estadual Leandro de Jesus (PL-BA) afirma: “Olha aí o que o [presidente] Lula, o [governador] Jerônimo [Teixeira] estão fazendo aí com a Bahia. Entregando a Bahia pra China e um monte de chinês invadindo aí o nosso estado […]. A Bahia vai ser invadida pela China de vez”.
    Outro vídeo com teor semelhante foi publicado pela comentarista Karina Michelin, do programa “Sem Rodeios”, da Gazeta do Povo, reforçando a narrativa de que haveria uma estrutura para abrigar milhares de estrangeiros e até impactos políticos futuros.
    “O Globo” procurou o deputado e a comentarista, mas não havia tido resposta até a última atualização desta checagem.
    ⚠️ Por que é falso?
    A afirmação de que 10 mil chineses serão levados para Camaçari não é verdadeira. O número citado nas publicações se refere, na realidade, à estimativa de empregos que o projeto deve gerar — majoritariamente ocupados por brasileiros. Em resposta ao “Globo”, a BYD foi categórica: “Não. Essa informação é falsa. A BYD não vai trazer trabalhadores chineses em grande escala para Camaçari”.
    A empresa detalhou que:
    atualmente, o complexo conta com cerca de 3.200 trabalhadores brasileiros diretamente ligados à operação;
    as obras são realizadas por empresas contratadas, que empregam cerca de 3.700 trabalhadores, também brasileiros;
    ao todo, já são aproximadamente 6.900 trabalhadores brasileiros no projeto;
    há previsão de abertura de mais 3.000 vagas, com prioridade para mão de obra local;
    e o total deve chegar a 10 mil trabalhadores brasileiros até 2026.
    Ou seja, o número que circula nas redes foi retirado de contexto: trata-se da projeção de empregos gerados, não de trabalhadores estrangeiros.
    Por dentro da BYD: veja como é feita a montagem dos carros na Bahia
    ▶️ O que é fato?
    O que existe, de fato, é a implantação de um grande complexo industrial no local onde funcionava a antiga fábrica da Ford em Camaçari. A operação da montadora começou de forma gradual: a primeira das 26 instalações do complexo entrou em funcionamento em outubro de 2025, quando a empresa informou ter mais de 1,5 mil colaboradores.
    Em dezembro, ao ultrapassar a marca de 2 mil trabalhadores, o presidente da companhia no Brasil, Tyler Li, afirmou que cada nova contratação representa “a oportunidade de gerar impacto positivo na vida das pessoas e no desenvolvimento de Camaçari e da Bahia”.
    A empresa também indica que novas vagas seguem sendo abertas atualmente, com candidaturas feitas por meio de canais como o SineBahia, o CIAT e plataformas digitais de recrutamento.
    Como a BYD é uma empresa chinesa, é esperado que técnicos e especialistas da matriz participem da implantação das operações e da transferência de tecnologia, prática comum em projetos industriais desse porte. Ainda assim, a empresa afirma que a maior parte dos trabalhadores no local é brasileira.
    As estruturas exibidas nos vídeos, por sua vez, são alojamentos ligados às obras. Segundo a empresa, o “complexo em construção foi planejado como alojamento para brasileiros, como forma de buscarmos formar e reter os melhores profissionais”.
    📝 O que diz o governo da Bahia
    O governo do estado da Bahia também reforçou que o projeto prevê prioridade para trabalhadores brasileiros, com regras contratuais estabelecidas:
    “De acordo com o contrato firmado entre o Estado da Bahia e a BYD, a empresa deve priorizar a contratação de mão de obra local necessária à implantação e operação da sua unidade industrial localizada em Camaçari, observando o percentual mínimo obrigatório de 70% (setenta por cento) de trabalhadores brasileiros. Com isso, instrumento contratual estabelece a previsão de geração de 10 mil empregos diretos até o ano de 2028.
    No ano de 2025, os resultados apresentados pela empresa demonstram um desempenho superior ao pactuado. A BYD registrou a geração de 4.409 empregos diretos e terceirizados em sua planta industrial, ultrapassando significativamente a meta contratual prevista para o período, que era de 3.500 postos de trabalho. Destaca-se, ainda, que 93% desse contingente é composto por mão de obra nacional”.
    📌 Denúncias trabalhistas e contexto
    Parte dos vídeos também associa o projeto a denúncias de trabalho análogo à escravidão. Esse ponto tem base em fatos reais, mas também aparece descontextualizado nas publicações.
    Uma reportagem do jornal “The Washington Post”, publicada em 14 de março, abordou condições degradantes envolvendo operários chineses ligados às obras. O caso, no entanto, não é recente. Em dezembro de 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que uma força-tarefa resgatou 163 trabalhadores em situação de vulnerabilidade no canteiro de obras e identificou 471 chineses trazidos de forma irregular ao país.
    Em junho do ano seguinte, o Ministério Público do Trabalho autuou a empresa por condições análogas à escravidão. Após investigações e diligências, a BYD e empreiteiras firmaram um acordo judicial de R$ 40 milhões, com indenizações individuais e coletivas.
    Apesar dessas irregularidades, os episódios não têm relação com a narrativa atual de “invasão”. As investigações tratam de condições de trabalho em obras específicas, e não de uma política de migração em massa.
    A própria dinâmica do canteiro mostra a presença significativa de brasileiros. Em dezembro de 2025, por exemplo, trabalhadores locais realizaram paralisações por melhores condições de trabalho, episódio registrado por veículos da imprensa brasileira, o que evidencia que a força de trabalho do projeto é majoritariamente nacional.
    🔎 Conclusão
    É falso que 10 mil chineses serão levados para Camaçari em uma “invasão”. O número citado nas redes sociais corresponde à estimativa de empregos gerados pelo projeto, majoritariamente destinados a trabalhadores brasileiros.
    Embora haja presença pontual de profissionais estrangeiros, como técnicos e engenheiros, isso não configura migração em massa nem substituição da mão de obra local. A narrativa viral distorce informações reais e cria um cenário sem base nos dados oficiais.
    BYD não contratou 10 mil chineses para fábrica em Camaçari, na Bahia
    g1
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