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    Lar»Saúde»Boca Rosa mostra transplante de sobrancelha: fios continuam crescendo e resultado não é imediato; entenda riscos
    Saúde

    Boca Rosa mostra transplante de sobrancelha: fios continuam crescendo e resultado não é imediato; entenda riscos

    adminDe admin22 de março de 2026Nenhum comentário9 minutos lidos
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    Boca Rosa mostra transplante de sobrancelha: fios continuam crescendo e resultado não é imediato; entenda riscos
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    Boca Rosa faz transplante de sobrancelha; saiba como funciona e quais são as contraindicações
    reprodução redes sociais
    A influenciadora e empresária Bianca Andrade, conhecida como Boca Rosa, contou nas redes sociais recentemente que aderiu ao transplante de sobrancelhas. Ela mostrou, por meio de um vídeo, que foi fazer o primeiro design de sobrancelha depois do transplante e ficou impressionada com o crescimento dos fios. O g1 conversou com dermatologistas para entender como é feito o procedimento, os riscos e as contraindicações.
    O procedimento deve ser feito por médicos especialistas e os problemas mais relevantes costumam ser estéticos, porque pequenos erros técnicos ficam muito aparentes, como a direção errada dos fios, curvatura inadequada e aspecto artificial.
    Além disso, há casos em que o procedimento são deve ser indicado e pode falhar, como quando há doença de base não controlada, inflamação e pouca área doadora adequada.
    A dermatologista Sarah Thé Coelho, especialista em estética e integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que o transplante de sobrancelha não é uma necessidade universal na medicina, mas pode ser uma “ótima indicação em casos de perda definitiva dos fios, falhas estáveis ou insatisfação estética persistente”.
    Veja os vídeos que estão em alta no g1
    Mas a médica alerta que, antes disso, é essencial investigar a causa da rarefação, porque, em muitas situações, existem alternativas clínicas.
    Em quais casos o transplante é recomendado?
    Especialistas explicam que o transplante pode ser indicado principalmente em casos de:
    falhas estáveis
    excesso de depilação ou laser ao longo dos anos
    cicatrizes
    queimaduras
    traumas
    alguns casos de rarefação permanente
    alopecia de sobrancelha, mas somente com a doença controlada. Ainda assim, o médico precisa avaliar o risco do procedimento e a taxa de sucesso dentro de cada caso. Em alguns casos, pode haver contraindicação.
    Coelho explica que é mais importante saber qual é o tipo de alopecia e se ela está ativa e controlada do que perguntar se há alopecia.
    O tricologista especialista em transplante capilar avançado Pedro Henrique de Almeida acrescenta que o procedimento também pode ser indicado para pacientes que já nasceram com um formato de sobrancelha que não as agradam.
    Quando o transplante não é indicado
    O procedimento não é recomendado nos seguintes casos:
    em quem tem doença ativa na região
    inflamação não controlada
    alopecia cicatricial em atividade
    alopecia areata (doença autoimune que causa queda de cabelo em áreas específicas do couro cabeludo ou do corpo) instável
    infecção local
    tricotilomania sem controle (transtorno psicológico caracterizado pelo impulso recorrente de arrancar os próprios cabelos ou pelos do corpo)
    expectativas irreais
    pouca área doadora adequada
    “Em doenças inflamatórias ou autoimunes ativas, o transplante pode ter um resultado ruim ou temporário. Em transplante de sobrancelha, selecionar mal o paciente é uma das principais causas de frustração”, destaca Coelho.
    Como é feito, na prática, o transplante de sobrancelha?
    O procedimento é uma cirurgia de autotransplante. O médico seleciona os folículos do próprio paciente – geralmente do couro cabeludo e preferencialmente de áreas com fios mais finos e compatíveis. Depois, ele implanta esses enxertos um a um na sobrancelha, respeitando o desenho, a direção, a angulação e a distribuição dos fios.
    “Essa etapa é extremamente delicada, porque a sobrancelha exige que os fios saiam bem rentes à pele e sigam uma orientação muito específica; pequenos erros técnicos ficam muito aparentes”, alerta Coelho.
    A implantação é feita com anestesia local e uma sedação endovenosa para que a paciente fique confortável e sem dor durante o procedimento, acrescenta Almeida.
    A técnica mais utilizada no Brasil atualmente é chamada de FUE. Essa também é a mais utilizada globalmente em transplante capilar e a mais associada ao transplante de sobrancelhas nas revisões técnicas.
    Os principais riscos do procedimento
    Os riscos cirúrgicos gerais incluem edema, hematoma, dor, crostas, infecção, foliculite, cistos e cicatriz. Mas, no transplante de sobrancelha, os problemas mais relevantes muitas vezes são estéticos e técnicos: assimetria, baixa densidade, direção errada dos fios, curvatura inadequada e aspecto artificial.
    “O principal problema é a sobrancelha ficar ‘denunciando’ o procedimento: fios nascendo muito retos, muito verticais, afastados da pele, em tufos, com desenho artificial, assimetria entre os lados ou densidade insuficiente” alerta Coelho. Também pode haver falha de pega dos enxertos e necessidade de retrabalho. Como a sobrancelha participa muito da expressão facial, um pequeno erro pode mudar bastante o rosto da paciente.
    O problema maior não é rejeição imunológica, como em transplante de órgão, e sim pega inadequada, inflamação local, infecção, foliculite ou perda posterior por doença de base ativa, segundo os especialistas.
    Fios continuam crescendo e resultado final pode levar até dois anos
    Os fios continuam crescendo como cabelo, principalmente no início, e o resultado final não é imediato.
    Como os folículos vêm do couro cabeludo, eles mantêm parte do comportamento biológico do cabelo. Por isso, o paciente pode perceber crescimento mais rápido do que o da sobrancelha natural, especialmente nos primeiros meses.
    É comum, por exemplo, que os fios transplantados caiam nas primeiras semanas e depois comecem a crescer novamente – o que faz parte do processo normal. Por isso, o risco de os fios caírem depois do transplante precisa ser explicado antes da cirurgia, explicam os especialistas.
    Além da queda inicial esperada no pós-operatório, pode haver perda tardia se os enxertos não pegarem bem, se houver cicatriz desfavorável, técnica inadequada ou doença de base ativa. Em alopecias cicatriciais e em alguns casos de alopecia areata, a previsibilidade é menor.
    Em geral, os primeiros resultados aparecem entre 6 e 12 semanas, mas o resultado mais definitivo costuma ser avaliado por volta de 6 a 12 meses. E pode ser necessária, meses depois, uma segunda sessão para refinamento de densidade.
    O transplante é considerado uma solução duradoura porque utiliza folículos vivos do próprio paciente, mas “permanente” não significa “imutável” nem “garantido em qualquer contexto”, explica Coelho.
    “Se a causa da perda dos fios estiver ativa — por exemplo, algumas alopecias inflamatórias ou autoimunes — o resultado pode piorar ao longo do tempo. Em pacientes com alopecia frontal fibrosante, por exemplo, há séries mostrando bom resultado inicial, mas perda progressiva de fios transplantados em parte importante dos casos após alguns anos”, acrescenta a médica.
    Ainda não há um consenso entre os médicos sobre a adaptação dos fios. Algumas publicações informam que, com o tempo, pode haver certa adaptação ao local receptor, mas não se deve prometer que o fio passará a se comportar exatamente como um fio nativo, afirma Coelho. Na maioria dos casos, é necessário cortar ou modelar os fios transplantados com frequência.
    Outros médicos afirmam que a adaptação pode ocorrer após dois anos.
    “O paciente geralmente precisa aparar os fios transplantados e, às vezes, alinhá-los com gel, pomada ou escovinha, sobretudo no começo. Isso acontece porque o fio transplantado pode crescer mais e ter tendência a curvar ou apontar em uma direção diferente da ideal”, explica Coelho.
    Os profissionais habilitados para realizar o procedimento
    O transplante de sobrancelha é um procedimento cirúrgico médico. No Brasil, pareceres do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) deixam claro que implantes capilares devem ser realizados por médicos devidamente inscritos no CRM, e que a responsabilidade técnica de serviços especializados nesses procedimentos é privativa de especialista com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Dermatologia ou Cirurgia Plástica.
    “Na prática, o mais importante é que seja um médico com formação sólida, treinamento real em transplante capilar e domínio específico de sobrancelha, que é uma área muito mais delicada do que parece”, alerta Coelho.
    Sinais de alerta que devem ser observados
    Antes da cirurgia, são sinais de alerta:
    promessas de resultado “perfeito”
    banalização do procedimento
    ausência de investigação da causa da falha
    proposta sem discutir riscos
    clínica que delega etapas médicas a pessoas não habilitadas
    Depois da cirurgia, são sinais de alerta:
    secreção
    pus
    vermelhidão progressiva
    calor intenso
    dor que não passa
    inchaço exagerado
    febre
    assimetria importante
    fios claramente implantados em direção errada
    perda de sobrancelha por uma doença ainda ativa que não tenha sido investigada
    Geralmente, após 48 horas, já ocorre uma diminuição do edema.
    O perfil dos pacientes
    Em geral, o transplante de sobrancelhas é procurado principalmente por mulheres – principalmente na casa dos 50 anos – mas homens também procuram. Há dois grupos muito claros:
    pacientes reconstrutivos, com perda real dos fios por cicatriz, trauma, doença ou depilação excessiva
    pacientes estéticos, que desejam mais definição, moldura facial e naturalidade.
    O aumento da procura nos últimos anos
    Em 2024, 21% dos procedimentos cirúrgicos femininos envolveram áreas não escalpe (que não fazem parte do couro cabeludo), contra 17% em 2021, e a sobrancelha apareceu como a principal área não escalpe entre mulheres, em torno de 12%. Por isso, dentro do universo da restauração capilar, a sobrancelha claramente ganhou espaço.
    Uma das explicações para o aumento da busca é a mudança no tipo de tipo de formato de sobrancelha. Antigamente, as mulheres buscavam um formato mais fino e mais delimitado e hoje buscam a sobrancelha mais cheia e com os fios mais preenchidos e naturais.
    “Esse aumento vem também do desenvolvimento de técnicas que deixam com que o transplante fique mais natural e muito mais bem feito”, acrescenta Almeida.
    Os tratamentos alternativos para evitar o transplante
    O primeiro passo é descobrir a causa da falha: alopecia areata, dermatites, distúrbios hormonais, tricotilomania, cicatriz, excesso de retirada dos fios, entre outras. Quando ainda existe folículo viável, muitas vezes é tentado o tratamento clínico antes da cirurgia, segundo Coelho.
    Entre as opções com melhor respaldo estão a bimatoprosta e minoxidil tópico em casos selecionados.
    Na alopecia areata, a infiltração com corticosteroide pode ser usada inclusive em sobrancelhas. Dessa forma, o transplante costuma ser mais indicado quando há perda estável, resposta ruim ao tratamento clínico ou destruição definitiva do folículo, explica a médica.
    Também há tratamentos orais e em forma de intradermoterapia, que são aplicações de injeções diretamente na sobrancelha, mas eles só serão efetivos quando ainda resta um fio viável na região, acrescenta Almeida.
    Quando vale mais a pena optar por micropigmentação?
    Especialistas explicam que a micropigmentação faz mais sentido quando:
    a principal queixa é o desenho, a simetria
    a pessoa quer um efeito visual sem passar por cirurgia
    não tem indicação cirúrgica – como quando a área doadora da paciente não é adequada para o transplante ou quando há doença de base ou alopecia cicatricial
    não quer pós-operatório
    apresenta alguma condição que torne o transplante menos previsível
    A limitação é que a micropigmentação não repõe o pelo de verdade; ela cria uma ilusão óptica. Por isso, quando o objetivo é ter fios de verdade e textura natural, o transplante entrega um resultado mais biológico.
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